crônica 35

A dor do outro

Confesso que poucas vezes na vida me afeiçoei profundamente a alguém por causa de beleza, felicidade ou  sucesso. 

As pessoas que mais me tocaram na minha jornada foram aquelas que estavam por alguma razão perdidas e vulneráveis . 

Nenhuma experiência no mundo te torna mais próximo de alguém do que aquelas que são dolorosas. A identificação com a dor do outro é sem dúvida o que nos une de verdade . 

O espírito de união e coletividade de quem já viveu uma provação semelhante é muitas vezes o momento de desabafo e início de cura. 

Vejo isto quando observo uma mãe que perdeu o filho e que ao lado de outras mães como ela, caminham juntas em busca de dias melhores. 

Vejo isto quando abraço alguém que perdeu seus pais e dou a ele todo meu afeto com em meio ao choro contido de revolta e contrariedade que nos desperta neste momento. 

Vejo isto quando encontro alguém perdida, que se julga incompreendida pessoalmente e profissionalmente. Vivi na pele este momento!

Todas nós somos muito parecidas. O problema não está só com você.  A vida do outro  pode até parecer mais movimentada, completa e interessante, mas acredite... Todos nós temos dias difíceis. Você não está sozinha. 

Que no próximo abraço de afeto e consolo a gente reconheça na dor do outro tudo aquilo que dói na gente. 

Ou melhor, que a gente reconheça na dor da gente uma habilidade grandiosa de amenizar a dor do outro.

É o primeiro passo da cura. É a troca que nos liberta.

Já curou alguém hoje? 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Taynara Prado