crônica

Brasileira, Latina e Goiana

Escrevi esta crônica sentada na poltrona do avião Azul  prestes a decolar da minha cidade natal poucos dias antes de me mudar para os Estados Unidos.

Eu já estava acostumada com despedidas. Nesta altura do campeonato  já havia morado em Uberaba, onde fiz faculdade e no Rio de Janeiro, onde sempre trabalhei.

Mesmo estando há 10 anos fora de casa, essa foi a única despedida  que me trouxe lágrimas aos olhos.

Havia um nó na garganta durante aquele abraço apertado em toda a minha família , que até então não soava sofrido.

Durante todo este tempo eu sempre soube que em qualquer lugar que estivesse do meu país, bastava pegar duas ou três horas de vôo para estar com eles. Dessa vez não!

Nova York me pareceu longe demais, fria demais, solitária demais , pra se viver. 

E ali estava eu , deixando meu país , meu arroz com pequi , meu guaraná mineiro furado na tampinha , meu churrasco que só em casa botam  pimenta de verdade

Deixei ali primos  com quem cresci , amigas de infância, meu tio, tias, irmãos, pai e padrinho. Tudo ficou lá.

Logo Pensei alto : Até da minha xícara de café esmaltada antiga eu vou sentir falta! ️E foi aí que lágrima caiu ...afinal é a minha casa.

Lembrei bem da expressão: Brasil... ame-o ou deixe-o. Impossível deixá-lo.

A terra da gente pulsa na veia, aflora no paladar, brilha nos olhos, aquece o coração e revigora  a minha coragem.

Eu sou muito Brasileira. Sou Latina. Sou Goiana. Nada jamais vai abafar isso.

Talvez os meus filhos jamais saibam o que é nascer no meu país.

Talvez a vida me surpreenda e eu não me aguente de saudade voltando logo pra casa.

Talvez eu me adapte á um novo país  e construa uma história bonita.

A dúvida que me ocupa o peito  é tão grande quanto a certeza que me cerca de que esse desafio não foi colocado no meu caminho á toa. É a minha mãe soprando lá de cima..que algo importante está por vir.

Quando o avião decolou... eu sabia que se olhasse pela janela veria as minhas tias ali, me vendo voar...como tantas vezes fizeram nesses quase 30 anos.Talvez simplesmente por isto eu tenha ido tão longe.

Mesmo com tanta injustiça ,Brasil,só pra constar: Que falta você faz!

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

O homem dos sonhos

Outro dia falei para alguém que meu marido era o homens dos sonhos, dos meus pelo menos!

Ele é educado, ele é divertido, é apaixonado e comprometido, mas calma...tem defeito, como qualquer homem. 

Às vezes finge que não está me escutando, varre a casa pra mim e já sai de gabando. Faz a compra do mês quando vai no mercado, prioriza a  cerveja e esquece meus congelados.

Mesmo assim ele é o marido sonhos, dos meus pelo menos.

É o primeiro á me incentivar nos meus projetos e o último a me apontar defeitos.  Ela aceita meu choro contido na TPM e também meus ataque de desespero.

Vez ou outra me pergunto se casamento é tudo igual e aí lembro que aqui em casa não tem o tal  futebol de domingo, entao não posso nem reclamar.

Aqui entre nós até confesso, tenho lá meus defeitos. Que mulher não reclama? Falo pelos cotovelos, só implica quem ama.

Mesmo assim ele não é de cobrar. Eu em compensação, exijo até nota fiscal de localização e pontualidade.

Tem dias que estou bem, outros bem louca, mas ele está aqui, por inteiro, sempre sorrindo, sempre  feliz, tomando uma cervejinha gelada e vendo televisão.

Me irrita? Às vezes Muito! Outras vezes não!

Como não amar?É o homen dos sonhos sim, dos meus pelo menos e repito : tem defeitos, ô se tem...Faz mal não,  no fundo a gente sabe que a gente tem também!

Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

crônica

Nova York

Há pouco mais de um mês a nossa vida mudou.

Deixamos o Rio de Janeiro para viver em Nova York.

Não sabíamos ao certo o que esperar. Nem eu, nem ele conhecíamos a cidade.

Viemos sem grandes expectativas. Chegamos de coração aberto para o novo e conscientes dos riscos dessa aventura que ao mesmo tempo que nos enriquece nos impõe dificuldades diárias .

Os obstáculos são muitos. A língua falada com pressa e cheia de gírias. Os Nova Yorkinos estressados em ruas lotadas de turistas.

O tempo que esquenta, que esfria , que venta e que chove. A comida que não é nada saudável e muito gostosa.

Tem também a saudade da família que tá longe e a falta que  os amigos fazem nos passeios simples do dia a dia.

Sim, temos um ao outro! ️Mas as vezes a gente quer mesmo é sentar no bar com aquela galera que conhece a gente como ninguém e só jogar conversa fora.

Mesmo assim Nova York vicia. É uma cidade real sem romantismos.

Manhattan impera em ritmo veloz, as pessoas se esbarram com pressa, o metro é lotado e o trânsito segue absolutamente parado!

O barulho não engana... Nova York não dorme. Há sirenes de bombeiros, ambulâncias e buzinas 24h por dia.

São muitos sotaques , muitas nacionalidades muita pressa e muitos sonhos.

Há obras por todos os lados, andaimes cobrindo as calçadas e as eternas  reformas de fachadas de prédios compõe logo o tom da cidade: Marrom. Tudo aqui é marrom!

Nova York é absolutamente real....Cosmopolita, vibrante, dura e contagiante.

Te torna mais forte , mais focada , mais segura, muda a sua vida em dois tempos.

Viver por aqui  não é um conto de fadas. Exige preparo, disciplina e expertise. Vida real, Vida normal... que nunca é banal. Não há nada igual.

A cidade te consome até que  você se adapte ao ritmo dela.

Você estuda, trabalha , faz mercado, cuida da casa, da própria roupa e improvisa o jantar. O tempo voa enquanto você se adequa ao novo sistema.

Aqui não tem jeitinho, ou você devora Nova York ou é engolido por ela.

E a gente vai vencendo, todo dia , devagarinho... cada vez mais!

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

Sobre o seu passado...

Históricas inacabadas são infinitamente mais perturbadoras do que histórias que não deram certo.

Términos por incompatibilidade de agendas, por fases diferentes de vida, por super ego, traição, ciúmes ou falta de atração , são términos aceitáveis.

Ok ...são dolorosos, mas  ainda sim compreensíveis. Afinal.... acontece. 

Agora histórias inacabadas, dessas que a gente só vê em filme, com reviravoltas do destino, iatos de comunicação, desentendimentos e passagens de tempo... Essas sim são as que realmente nos marcam. 

A gente idealiza o que poderia ter acontecido se um dos dois tivesse dado o primeiro passo.

A gente romantiza um pedido de desculpas que se perdeu no espaço. 

A gente pensa se o outro também pensa na gente... e em fração de segundos relembra os bons tempos. 

O inacabado é tão perturbador que a gente  quase não se recorda dos momentos ruins, mas questiona : Quando foi que você se perdeu de mim?

Será que se pudéssemos voltar no tempo faríamos tudo diferente ? E agora ?  Crescemos? Mudamos? Somos melhores? Nós perdoamos? 

Já é tarde. Tanto tempo se passou.... 

Daqui, da minha vida atual, revejo o passado com a certeza de que absolutamente nada é melhor do que o que eu vivo agora. 

Quanto mais recordo a minha juventude... mais agradeço a chegada da maturidade e com ela a construção de uma vida preenchida de amor.  

Mesmo assim ainda me surpreendo com essas histórias inacabadas que são tão perturbadoras.

Você nunca sabe quando vai cruzar com elas pela rua...

Vai falar que você não sente uma pontinha de medo? 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

Escolhas

No fundo da minha alma habita uma tristeza profunda chamada desencontro. 

Há alguns anos me desencontrei de algumas pessoas de quem guardo profunda tristeza mas nenhum rancor. 

Segui em frente decepcionada e levei  anos para entender que o perdão não restabelece uma relação. Ele apenas te liberta dela.

E foi perdoando que plantei novas sementes colhi frutos abençoados  e aí me dei conta de que tantos anos haviam se passado... era tarde demais pra nós.  

Me pergunto eventualmente se você ainda pensa em mim. 

Me pergunto o porque de não ter realmente lutado para estabelecer o laço que você negligentemente cortou. 

Me pego lembrando de uma outra história bacana que vivemos em meio a tanta coisa ruim.

Amar o belo , o perfeito ... é fácil , é simples. 

Amar  o difícil , o complicado... é que tarefa digna de evolução espiritual incomparável. 

Mais difícil do que brigar com você  , foi sem dúvida desistir de você.  

Duas décadas se passaram entre a eterna culpa de te manter por  perto e não ser feliz  ou de ser feliz sem você por perto. 

Escolhi. Não ganhei, não perdi. 

Decisão dolorosa de uma alma profunda que prezou pela própria sanidade emocional. 

Segui adiante no meu próprio percurso com a certeza que a vida nem sempre é um conto de fadas mas que de fato  ela sempre segue.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

Elogios

Tenho notado que elogio é um simbolismo raro de delicadeza hoje em dia.

Quanto mais o tempo passa menos a gente elogia. É triste... eu sei.

Tem gente que tá tão acostumada a ser criticada que quando recebe um elogio sincero, desses inesperados , fica até desconcertada.

O susto é tanto que automaticamente já ela já se sabota .

Não se permite curtir todo aquele reconhecimento, tamanho é seu hábito de se aceitar imperceptível, sem grandes feitos.

No lugar de dizer obrigada, involuntariamente se pune. 

É a resposta rápida de que comprou a roupa em liquidação para não comemorar quando arrasou no visual. É a contra reposta imediata sobre os defeitos do próprio corpo só porque disseram que você emagreceu. 

É o auto fuzilamento certeiro de todos os seus defeitos quando te apontam uma competência profissional justa.

Sim... a gente mesma se sabota , porque em um mundo onde qualquer coisa é motivo de chacota , ninguém tá preparado pra ser elogiado, celebrado, adorado com gentileza . 

Eu me pego fazendo isso o tempo todo. No lugar de simplesmente dizer obrigada respondo elogios com um desconforto tolo... aponto um defeito visível por pura insegurança de dizer : realmente acertei em algo. 

Se é sobre a roupa, o cabelo, no trabalho ou  em casa... elogio é algo que deixa a gente meio abismada.

Se você também sofre com esse mesmo defeito o único conselho que  consigo dar é que pare de falar besteiras e pratique o mantra da elegância e auto-aceitação. 

Na dúvida : Aceite um elogio com um simples sorriso.

Provavelmente a maior parte deles também te representa. 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

 Multitarefas

Às vezes tenho  a sensação de que estou sempre em dívida com a vida.

Fico me perguntando se mais alguém se sente da mesma maneira ou se só eu me sinto em falta com alguma coisa.

Se você é mãe , esposa, trabalha fora e cuida da casa , você  deveria andar por aí com uma medalha no peito. Sem exagero! 

Eu que não tenho filhos já me sinto multi tarefas no limite , imagina você que acumula mil e uma funções da própria vida e da extensão dela: as crianças.

A impressão que a gente tem é que quanto mais o tempo passa mais a gente se sobrecarrega. 

O sol nasce e já estamos de pé desempenhando mil e uma funções em tarefas domésticas , profissionais, burocráticas e digitais que nos ocupam grande parcela do tempo. Somos os maestros na orquestra sinfônica da nossa própria jornada. 

Dia após dia enfrentamos o desafio de cumprir compromissos que se multiplicam enquanto o tempo corre, mas no fundo... no fundo quem corre mesmo é a gente. 

Ao deitar a cabeça no travesseiro , fico sempre com a sensação de que estou em dívida com algo.

É o presente de aniversário de alguém que me esqueci de comprar , aquela conta da casa que não deu tempo de pagar, meia dúzia de e-mails não respondidos ou a unha das mãos que estão por fazer. 

O mundo te cobra eficiência, agilidade e se brincar até beleza, e  você  que é biologicamente treinada para fazer milhares de coisas ao mesmo tempo até que se sai bem em todas as tarefas. Mesmo sabendo que elas nunca acabam e amanhã o malabarismo segue adiante... 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

Apropriação ️

Quando foi que você se perdeu de si mesma? Quando foi que parou de se reconhecer no espelho?

Sempre há tempo para se apropriar das suas vontades, dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, dos seus movimentos.

Se apropriar de si é tomar as rédeas do próprio destino.  É escolher seu próprio caminho, a forma como se quer viver, as pessoas com quem almeja conviver e a dosagem de energia gasta para cada batalha pessoal diária .

Por falar em batalhas: escolha as suas. Não dá pra brigar por tudo o tempo todo. Escolher pelo que vale a pena brigar é uma forma de se apropriar de si também!

Seja fiel aos seus princípios, seus valores, seus desejos mais profundos do conceito real de bem estar, plenitude e felicidade. 

Saia do ostracismo e identifique tudo aquilo que te faz bem . Aliás, o que de fato de faz bem?

Se conhecer ainda é o melhor caminho de gerenciar a própria trajetória, para ser dona da sua história.

Não deixe que ninguém dite a maneira como você tem que viver. Não se acomode. Não se conforme. Se enxergue por dentro....

Ao primeiro alerta interno de insatisfação, veja os sinais do seu corpo, ouça os sinais da sua mente. Dê atenção para a sua alma.

A única forma de ser feliz é fazendo as suas próprias regras...

Não se aprisione. Voe! A hora é agora. Seja lá o que isso quer dizer, não desista.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

 

 

crônica

Sororidade

Acabo de presenciar na estação de metrô de Ipanema no Rio de Janeiro aquela cena digna de pesadelo para quem é mãe.

Uma turista alemã , sem falar português , com 5 ( cinco!) crianças pequenasentrou no vagão e ao contra os meninos se deu conta de que estava faltando um.

A porta fechou! Sim, a porta do vagão fechou, e naqueles dois minutos mínimos de pausa até que o metrô avançasse ela batia a mão no vidro desperada e gritava!

Gritava de pavor, de susto , de preocupação , um grito quase leonino, feito fêmea protegendo a cria , e a criança do outro lado , pequena , indefesa , paralisada chorava de volta, um choro doloroso, apavorante , agonizante pra quem via.

Não preciso nem dizer que todas, absolutamente todas as mulheres dentro do metrô começaram a gritar junto, a bater no vidro, a pedir ajuda.

Quando olhei ao meu redor não era só ela que chorava , a maior partes daquelas mulheres choraram ao passo que o carro avançava no sentido da próxima estação ( inclusive eu que não tenho filhos ) .

Fomo todas tomadas por um silêncio constrangedor , sufocante , interminável até que na estação seguida elas desceram.

Quando digo elas é porque pelo menos cinco das várias mães que estavam no vagão voltaram junto.

Eu segui meu caminho com a lágrima descendo dos olhos e a preocupação de saber como terminava aquela história.

Sabia que várias mães estariam com ela no momento que aquele pesadelo teria um final feliz.

Mesmo assim segui tocada pelo sentimento de sororidade que habita em nós mulheres quando algo assim acontece.

Já pronta paradescer na minha estação, o passageiro do lado (homem) conversava com o outro passageiro **Quem mandou ter tanto filho?**

Fiquei perplexa . Não dava pra sair calada então argumentei:  ''Meu senhor, liga pra mãe dos seus filhos e vê se ela concorda com você . Se sim, é provável que tenha mais gente no mundo enconomizando amor por aí''

Comentário lamentável!

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

 

 

 

 

crônica

Profissão: Escritora

Se você sabe onde quer chegar , não pode parar até conseguir.

Ouvi essa frase ainda garota e tomei como lema. Mais do que um simples conselho,  ela se tornou ponto de partida para uma trajetória profissional ainda incomum para os padrões tradicionais da época. 

Viver de escrever era um sonho de muitos, permanecer nele é que era algo tão raro.

Dez anos se passaram e este ainda é um mercado complexo e incrível, levado a sério por muitos mas banalizado por tantos...natural que seus pais se preocupem. 

Como não é preciso diploma, repertório virou fator decisivo pra gente se estabelecer. 

Não há espaço para os descompromissados.

Construir um bom portfólio, se reinventar diariamente , fazer pequenos trabalhos para se sustentar e manter um ofício antes mesmo dele te manter são fatores que ainda que te desmotive , na maior parte das vezes te fortalece.

É quase uma seleção natural de mercado, uma prova dos 9 pra gente vencer. 

Na maior parte parte dos últimos 10 anos tive a sorte de me deparar com meninas mais novas , que me tomaram não como talento mas como exemplo de persistência. 

Em tese fico orgulhosa, mas quando aconselho alguma delas, fujo do conselho clichê : ''Nunca desista dos seus sonhos.''

Tento dar o conselho que eu gostaria de ter ganho lá atrás : Siga firme na direção das suas metas, porque o pensamento atrai , a atitude constrói mas só a persistência que realiza.

O resto é conversa fiada. Falo por experiência própria. 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

crônica

Mente Inquieta

Tem dias que a gente acha que está dando tudo errado....

Somos tomados pela incerteza do amanhã, pela ansiedade do que nos aguarda e pela insegurança dos resultados. 

Pra onde vamos ? O que queremos? Estamos certos ? Serei feliz ? 

Tantas perguntas que não se calam no interior de uma mente cansada, inquieta e questionadora. 

Estou indo pelo melhor caminho? E se nada sair como planejei ? Tomei a melhor decisão? Tenho um plano B ? 

A boa notícia é que inquietação é antídoto diário para sair da inércia.

A má noticia é que a vida não tem manual de instrução. Não há garantias.

Inundados em nossas próprias dúvidas, seguimos a diante com a certeza de que se acomodar não é uma saída. 

Somos movidos á sonhos, projetos e objetivos traçados em trajetórias individuais dignas de orgulho. 

Se manter confiante na maior parte dessa caminhada é que é tarefa árdua e eterna.

Não sabemos ao certo se sairemos vitoriosos das batalhas diárias , mas nos dias de angústia profunda , incerteza ou solidão respire fundo e diga pra si mesma: 

Não é o fim do mundo, foi só um dia ruim! 

E tudo dará certo!

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

crônica

Fale com Deus

Religiosidade não é bem o meu forte. Sou um tanto desencaixada do termo. Tenho fases de apego aos santos e fases de espiritismo, fases de orar o terço e fases de tomar passe. 

Socialmente ou tradicionalmente é errado e eu sei, mas sigo inquieta , curiosa, questionadora, ansiosa e esse sim é o meu jeito.

Dentro de mim há sempre uma busca semanal do que toca minha alma, uma necessidade humana de ser confortada, ora aqui, ora ali, vou aos poucos nessa caminhada. 

Também não sou daquelas pessoas que só falam com Deus quando estão precisando. 

Que apelam pra ele no ápice das próprias vontades e que se não são atendidas colocam logo a culpa no coitado.

Sou consciente desse nosso trato. Hora agradecida , hora já sem saco. 

Hora carinhosa, hora debochada. Hora geniosa , hora encantada. 

Dependendo do problema eu faço até piada. Sei que ele ri de mim, e sei que ri comigo. 

Temos uma relação de muito respeito. Sua existência é inquestionável. 

Eu não o responsabilizo pelos meus obstáculos mas dou a ele todos os créditos das minhas conquistas. 

Seria hipocrisia achar que a gente consegue tudo sozinha, pensar que ele não caminha do lado.... aí sim é que ele ri da gente, do quanto falta para aprendermos dessa luz onipresente.

É nele que habitam as minhas vitórias . É nele que habitam as minhas memórias . É nele o conforto das minhas derrotas. 

Talvez me falte religiosidade , mas fé nuncame faltou. 

Travamos disciplinadamente um diálogo diário e isso sim é estar presente.

Na dúvida, mantenha contato! Deus é como mãe.

Atende a gente enquanto faz milhares de coisas ao mesmo tempo.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

crônica

Casamento

Quando você cresce com pais separados , começa a achar que casamento não é pra você. 

A perspectiva de ser feliz para sempre para quem já assistiu uma separação dolorosa faz a gente acreditar que o amor é um sonho distante.

Bom, eu estava enganada. Casamento é pra todo mundo e quem menos acredita mais se surpreende com a aventura de se construir uma vida á dois.

Casamento é mergulho interno e exercício diário das próprias crenças. 

É voar longe e voltar pra perto porque se quer.

É compromisso com si mesma de doação máxima.

É disciplina e parceria diária, multiplicação do afeto e compreensão da evolução. 

Não sei o seu , mas o meu casamento tem dias bons e dias ruins, momentos fáceis e difíceis, histórias engraçadas e tristes, projetos em andamento e sonhos em construção. 

Temos frustrações no trajeto, batalhas vencidas de perto, riso solto e parceria, papo bom e alegria.

Tem respeito,gratidão, tem carinho, discussão. Tem afeto e doação.

Se casamento implica em escolhas... aqui em casa um cede daqui, o outro dali, um cobra de cá o outro de lá. É investimento pesado, frequente e diário pra manutenção do amor. 

Ultimamente a sintonia é tanta que um chama pra cair no mundo e o outro pergunta se leva roupa de frio ou de calor. Onde vamos parar ? Só a vida vai nos contar.

Ah...o tal do amor! Esse que eu achei que não fosse pra mim é a melhor coisa do mundo...merece ser regado, cultivado, festejado...como é bom alguém do lado.

Nunca plantei nada melhor.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

crônica

 Reciprocidade...

A palavra da vez nos meus projetos de vida é reciprocidade.

Reciprocidade: correspondência mútua. Dar e receber. Amar e ser amado. 

Torcer pelo outro e saber que ele também torce por você. Dar apoio e sentir-se apoiado.

Parece simples, mas nem sempre funciona. 

Nos deparamos todos os dias com relações vias de mão única. 

Não há cumplicidade. Não há parceira. Não é via de mão dupla. 

Você se doa e é sugada. 

Torce profundamente pelo o outro mas não é correspondida. 

Espera uma palavra amiga, um incentivo ou outro, mas nada acontece. 

O vazio é imenso e a relação pede por uma pausa. 

Entra em jogo aquela história sem sintonia. 

A falta de  retorno  e a decepção. 

Como entender  as limitações do outro, as falhas   do ser humano e suas fraquezas?  

Missão que exige maturidade, responsabilidade e generosidade. 

Você esperava mais e nada aconteceu.

 É simples e mais comum do que se pensa.

Não será nem a primeira nem a última vez.  

Parcerias de vida, amizades longas ou relações respeitosas no trabalho são feitas à base de reciprocidade. 

É possível ir longe com pessoas que te apoie , mas que fique claro, é necessário apoiá-las também. 

A vida não é uma relação de formiguinha e pavão onde um bajula e outro se gaba.

É reciprocidade diária com quem se ama.

É ficar feliz pelo sucesso do outro e ter a certeza de que a sua vez também chegará.

Só assim suas relações irão durar. 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

 

 

 

crônica

Compaixão

Se existe um sentimento mais desafiador do que a compaixão, eu ainda não o conheço.

Sentir compaixão  é sem dúvida uma das maiores provações que o destino pode te impor.

Compaixão: Sentimento piedoso de simpatia por alguém, seja por quem ele é, pelo que ele faz ou pela tragédia que o abate.

Quando alguém te machuca, te faz mal, te fere, compaixão é quase uma afronta diante do que se sente. É tarefa árdua em tempos de mágoa. 

Compaixão : Enxergar além do próprio egoísmo ou do egoísmo do outro. Tarefinha complexa cuja vida prega peça e a gente não sabe o que faz.

Há quem seja incapaz de dar o primeiro passo, reconhecer o erro , admitir o cansaço...

Há quem seja nobre, compreenda falhas, que muito te ensine e nada cobre....

Há quem se confunda e o coração inunda, de dúvida, desamparo e rancor...

Não há caminho certo, não há receita concreta mesmo que ainda haja amor.

Para a presente agonia, com recaída e apatia, se libertar do que faz mal já é um começo.

É um passo para a liberdade.

Porque guardar raiva é vaidade.

E recomeçar não tem preço....

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

crônica

Reconhecimento

Me dei conta de que não importa o quanto você faça, algumas pessoas simplesmente não vão te reconhecer por isto...

Reconhecimento: O ato de expressar gratidão ou agradecimento, reconhecer algo ou alguém pelo que se fez ou se faz.

É provável que você já tenha se frustrado diante da apatia daqueles que insistem em não reconhecer seus esforços sobre algo.

É mais provável ainda que você tenha seguido mesmo assim, cansada, desmotivada, contrariada com a falta de sensibilidade de quem não te enxergou.

Acontece que por mais desgastante que essa via de mão única possa parecer, há sempre uma razão para o que a gente às vezes simplesmente não se compreende.

Cabe a nós decidir sofrer ou não por questões que muitas vezes vão além do nosso poder de decisão.

 Cabe a nós continuar e nos dedicar, regredir ou repensar, insistir ou recodificar o quanto nos doamos e por quem nos dedicamos.

Você pode até não ser reconhecida por aquelas horas extras que você fez no trabalho. Pelo cuidado e zelo que teve com seus amigos. Pela dedicação ao seu modo, no seu casamento e com seus filhos.

Pode até não ser reconhecida pela sua competência profissional, pela sua força pessoal, pelo seu desempenho habitual. Mas cabe a você se decidir até onde ir, até quando persistir, de que forma reagir.

A vida é um ciclo diário de energia gasta com o que realmente se vale a pena.

Porque não importa o que você faça nem onde você o faça alguns simplesmente não enxergarão...

Repense sua vida, reprograme suas metas, valorize quem te reconheça e na falta de um elogio sólido dê créditos a si mesma! 

O teu destino afinal... é você quem faz.  

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

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Tempo...

Ter gratidão pela passagem dos anos é desafio raro de se impor.

Olhar para traz e sentir carinho pelo que a vida te tornou é impagável.

Poucas coisas no mundo não são irreversíveis.

É possível voltar atrás, recomeçar, tomar outro caminho, mudar de ideia, de opinião, o seu destino, sua decisão.

Mas o tempo, este sim, não volta jamais.

Quando você se recorda do passado com gentileza e é generosa com si mesma na passagem da vida, o presente se torna pleno e a perspectiva de futuro é inspiradora.

Estar em dia com seus filhos, com seu parceiro de vida, com seus desejos e impressões reais de si mesma não tem preço.

Só você sabe o que passou para chegar até aqui. Só você sabe quantas vezes precisou se dividir, se oprimir, se redimir, se decidir.

Toda escolha gera consequências. Tem ganho que resulta em perda. A vida é um carrossel de emoções onde a ‘’troca’’ é decisão diária de engrandecimento.

Até mesmo aquele tropeço serviu para fortalecer. Deixou claro que você é imperfeita e ainda sim bela.

Se você já chorou de cansaço, precisou lidar com as próprias frustrações, superou expectativas, construiu sonhos e seguiu a diante... Pare por um minuto e agradeça ao tempo pelo que ele te tornou.

A vida real é para os corajosos.

Desligados os aplicativos, fechadas as cortinas, a missão permanece para todos...

Fechar os olhos ao apagar das luzes com a sensação de que apesar dos imprevistos, é possivel sair de cena, realizada e plena.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

 

crônica

Palpite...

Já dizia minha mãe : Se conselho fosse bom não era dado . E mesmo assim há quem dê o tempo todo.

Conselho, palpite, pitaco é sinônimo da melhor das intenções em opinar sobre a vida dos outros.

Tem gente que se acha expert em apontar a melhor direção, a melhor decisão , a melhor opção para o seu caminho. Quando se trata do dele segue perdido.

É tanta gente opinando  que aos poucos  o propósito de ajudar se perde e toda aquela falação acaba sendo uma verdadeira sabotagem de planos, projetos, desejos, intenções ... 

Até hoje não entendo essas pessoas que dão palpite excessivamente na vida de quem não lhe diz respeito.  São mestres em mostrar a melhor solução , a direção mais fácil , o retorno mais rápido, o trajeto mais curto.

Se gabam por achar que  conhecem o melhor caminho e acreditam levar uma vantagem estrondosa sobre os demais. São os espertos. 

Quando detecto um palpiteiro de plantão , sigo pelo caminho contrário. Quase sempre dá certo. 

Na dúvida, siga sua intuição, ouça seus pais, fale com quem realmente seja parte da sua intimidade.

A verdade é que se ninguém paga as suas contas nem vive a sua vida, porque saberiam a melhor solução  dos seus problemas ?

Sempre vale a pena se libertar da opinião alheia excessiva e descabida dos conhecidos.

Por melhor que seja a intenção deles  ( e nem sempre é boa!) .... No fim das contas, só atrapalha.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

crônica

Starbucks...

Quando eu era criança meu sonho era ter um quarto azul.

Sempre quis um quarto listrado estilo náutico, que pra falar a verdade até hoje desejo, mas dadas as circunstâncias da infância, cor de menino e cor de menina ainda existia naquela época, acabou que não tive. 

Quando comecei a escrever por volta dos  18 anos embarquei para um curso de inglês em São Francisco e foi na primeira viagem realmente sozinha que  decidi que tornaria esse hobby a minha profissão.

Passei então a sonhar com um escritório só meu. Imagine...quem não quer uma espaço só seu pra poder trabalhar?

Só que naquele frio de inverno da Califórnia eu não tinha espaço porque dividia  um quarto com uma coreana, nem dinheiro além do curso que estava pagando, nem paradeiro fixo porque o estudo  era temporário, pra poder montar uma espécie de office....E  foi aí que descobri no Starbucks um cantinho pra chamar de meu....

Tem coisa melhor do que sair de um frio congelante ou de 40 min de viagem de metrô e entrar naquela casinha aconchegante para tomar um café gostoso e aquecer seu coração? Acredite não tem.

Eu sempre fui viciada em café, mas a perspectiva de um sofá confortável , bancadas por todos os lados e todas aquelas pessoas  ao seu lado estudando, digitando, passando o tempo ou se concentrando me faziam muito mais feliz do que o gole de café em si. Tornava minha solidão menor, minha inspiração maior e meus sentimentos mais brandos porque a saudade de casa, essa sim uma hora aperta.

Quase 10 anos se passaram desde a primeira vez em que escrevi meu primeiro texto sentada no Starbucks com um capuccino ao lado.Ainda não tenho um escritório azul , náutico pra chamar de meu , mas quer saber ? Foi melhor assim. Passei a ter uns 700 escritórios pelo mundo desde então....

É lá  aqueço meu coração , me inspiro , escrevo, me sinto plena , produtiva e feliz...

E você ? Onde fica seu escritório pelo mundo?

Faça suas regras, um bom office é onde as pessoas menos esperam.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

crônica

Milagre...

Sempre ouvir dizer que o nascimento de uma criança é a mais perfeita celebração do milagre da vida. Parece obvio, até que o bebê seja seu, da sua família ou de alguém próximo...

Quando nasce uma criança nasce com ela uma mãe.

Há quem diga que aqueles 50 minutos da cesárea (ou 18 horas de trabalho de parto) seja um divisor de águas. 

Quem era você antes daquele pacotinho chegar? Não se lembra mais…e quer saber? Tanto faz. O importante é o agora, com ele aqui, pertinho do seu peito.

É no nascimento de uma criança que o passado deixa de fazer sentido, o presente é recheado de inseguranças e o futuro traz a certeza mais bela: Você nunca mais estará sozinha.

É no nascimento de uma criança que a família volta a vibrar como em campeonato de Copa do Mundo. Tem comemoração que não acaba mais.....O primeiro sorriso, a primeira papinha, o primeiro passinho, quando bate palminha.

Todo mundo volta a ser criança. 

É o avô que pega no colo e mostra as plantinhas, é a tia que carrega no braço e faz voz de bebê. É o pai que tem medo de ‘’ quebrar’’ o filhote e observa atento. É a madrinha que tira mil fotos a todo momento.

No aniversário de 1 ano é palma que não acaba mais. Todo mundo comemora, vibra, chora, sorri, se abraça, tira foto, passa o bebê de coloco em colo e celebra outra vez! Mais um que veio para ficar!

Você pode até dizer que é no parto que celebramos o milagre da vida.

Mas o milagre, milagre mesmo... vem no novo olhar dos adultos diante do mundo que é apresentado para aquele pequeno bebê.  O seu bebê.

Milagre da vida é um adulto voltar a contemplar os passarinhos quando a criança o vê voar pela primeira vez. É voltar a observar os peixinhos para que ele o descubra também pela primeira vez. É sentir no toque dos pés o gramado, a areia, o riacho e o mar.  Tudo é novo pra ele e de alguma forma para você também.

Milagre mesmo é olhar nos olhos daquele pinguinho de gente e se perguntar: Como é que ele me ensina tanto?

No fim das contas ele só veio ao mundo para ser puro amor e fofurice, já você…..você sim, renasce. 

Sejam bem vindas pequenas sobrinhas!  Há uma Copo da Mundo preparada nessa família!

E aqui a gente vibra em dose dupla.... 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.