Brasileira, Latina e Goiana

Escrevi esta crônica sentada na poltrona do avião Azul  prestes a decolar da minha cidade natal poucos dias antes de me mudar para os Estados Unidos.

Eu já estava acostumada com despedidas. Nesta altura do campeonato  já havia morado em Uberaba, onde fiz faculdade e no Rio de Janeiro, onde sempre trabalhei.

Mesmo estando há 10 anos fora de casa, essa foi a única despedida  que me trouxe lágrimas aos olhos.

Havia um nó na garganta durante aquele abraço apertado em toda a minha família , que até então não soava sofrido.

Durante todo este tempo eu sempre soube que em qualquer lugar que estivesse do meu país, bastava pegar duas ou três horas de vôo para estar com eles. Dessa vez não!

Nova York me pareceu longe demais, fria demais, solitária demais , pra se viver. 

E ali estava eu , deixando meu país , meu arroz com pequi , meu guaraná mineiro furado na tampinha , meu churrasco que só em casa botam  pimenta de verdade

Deixei ali primos  com quem cresci , amigas de infância, meu tio, tias, irmãos, pai e padrinho. Tudo ficou lá.

Logo Pensei alto : Até da minha xícara de café esmaltada antiga eu vou sentir falta! ️E foi aí que lágrima caiu ...afinal é a minha casa.

Lembrei bem da expressão: Brasil... ame-o ou deixe-o. Impossível deixá-lo.

A terra da gente pulsa na veia, aflora no paladar, brilha nos olhos, aquece o coração e revigora  a minha coragem.

Eu sou muito Brasileira. Sou Latina. Sou Goiana. Nada jamais vai abafar isso.

Talvez os meus filhos jamais saibam o que é nascer no meu país.

Talvez a vida me surpreenda e eu não me aguente de saudade voltando logo pra casa.

Talvez eu me adapte á um novo país  e construa uma história bonita.

A dúvida que me ocupa o peito  é tão grande quanto a certeza que me cerca de que esse desafio não foi colocado no meu caminho á toa. É a minha mãe soprando lá de cima..que algo importante está por vir.

Quando o avião decolou... eu sabia que se olhasse pela janela veria as minhas tias ali, me vendo voar...como tantas vezes fizeram nesses quase 30 anos.Talvez simplesmente por isto eu tenha ido tão longe.

Mesmo com tanta injustiça ,Brasil,só pra constar: Que falta você faz!

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2017-Todos os direitos reservados no EAD - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro