NÃO

Digo não o tempo todo. A recusa em fazer algo nunca foi uma dificuldade para mim.

Mesmo assim me deparo com pessoas que se cobram por não saber dizer não. São elas as que mais sofrem.

Dizer não pode soar pessimista demais. É interpretado de forma antipática e causa estranhamento, quase um gesto de ingratidão.

Não! A recusa natural de não se sentir confortável com algo. A negativa que a princípio parece o fim. Você se nega a fazer algo e naturalmente é reprovado, rejeitado. Justo nós que vivemos quase sempre em busca de aprovação, de aceitação.

Acontece que dizer não é as vezes o passo inicial de uma libertação. Libertação emocional, social, financeira, moral. Libertação profissional e principalmente pessoal.

Libertar-se da obrigação de algo para então sentir-se livre. Livre para fazer as próprias escolhas. Livre para ser quem você gostaria. Livre para ficar confortável na própria pele.

Na vida os contextos são amplos mas as respostas são simples, é sim ou não.Se jogar ou se preservar. Aceitar ou recusar. Ir ou ficar.

Você pode estudar fora, viajar o mundo, se casar e ter filhos (ou não!). Pode cuidar de si mesma e do outro, da carreira e dos sonhos, fazer tudo isto ou nada disso.

 Só não se esqueça do mais importante:  Para ser feliz é preciso dizer não todas as vezes que o seu coração desejar. Parece contraditório, mas acredite, o não abre portas.

Recusar aquela oferta de emprego dos sonhos para se aventurar em um intercâmbio pode mudar o seu destino.

Dizer não aos filhos na loja de brinquedos pode fazê-los valorizar ainda mais os brinquedos antigos.

Falar não para qualquer relacionamento afetivo que torne sua autoestima mais frágil abre caminhos para conhecer gente nova.

Não para agressão, não para a omissão, não para o pré-conceito, machismo, desrespeito. Alguém precisou dizer não para que as coisas mudassem.

O não que a gente cala muitas vezes é o início do sim.

O início de uma vida adulta e mais corajosa, com a palavra que mesmo que assuste, sempre liberta.

Diga não. 

 

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.