Feminismo

De onde eu venho ser tradicional é quase sinônimo de sucesso.

É o mesmo que dizer que a pessoa é correta, que é de bem, que teve boa criação, base familiar sólida e apreço pela boa moral e bons costumes. É a famosa cabeça no lugar.

Nasci em um lar legal, fiz primeira comunhão, estudei em boas escolas, fui à missa aos domingos, estagiei em boas empresas, me formei, me casei, trabalhei. Não usei drogas(nem pretendo usar) não fiz aborto (não sei nem se sou contra ou a favor), não vivi a geração do poliamor (zero curiosidade de beijar meninas) não participei fisicamente de nenhum protesto por direitos políticos nem manifestações de juventude (mas assisto e torço!).

Meu ápice do NÃO tradicionalismo foi fazer uma tatuagem pequena e repetir um ano por assistir TV demais. Rolou bronca claro! Enfim,nadaprotestei além do horário de chegada dos bailes de debutante. Achei que ser jovem era isto e que o máximo da transgressão aceitável seria uma próteses de silicone. Percepção vazia a minha! Lá fora elas faziam história!

Na casa dos 30 anos,morando no Rio há quase uma década conheci centenas de meninas que fumam maconha, que beijam meninas, que não foram batizadas, que militam ativamente a favor do aborto, da legalização das drogas e da preservação da floresta Amazônica. São descoladas, são tatuadas, viajam o mundo e pagam suas contas. Sao generosas,são respeitosas,são poderosas, são corajosas.

De onde eu venho dificilmente serão vistas como bem sucedidas ou corretas.Serão tidas como polêmicas, afrontosas sem causa que não ganharam uma bela de uma palmada dos pais no primeiro grito de rebeldia ou independência. Ah...tradicionalismo tedioso esse nosso, e de muitos!

Felizmente e graças a elas as próximas gerações já sabem que ser livre é um sonho possível. Talvez você jamais seja poupada do julgamento alheio mas todas elas abriram caminho para que você viva como desejar, para que lute pelo que acreditar. Hoje reverencio as mulheres que conquistaram o direito de escolher.

O direito sobre o próprio corpo, a luta pela igualdade de gêneros, e tantas outras questões. A diversidade nos representa mas a evolução é mérito só delas.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro