Aos 45 do segundo tempo     

Você sabe o que você quer da sua vida? Provavelmente não.

Eu também não sei, minha terapeuta não respondeu de maneira assertiva, meus amigos pareceram em dúvida e meus pais que sempre disseram saber, se pegaram na metade de um casamento reavaliando seus objetivos de vida e se divorciando. Ambos trocaram de profissão. 

Casamento não é garantia de satisfação pessoal, de realização e felicidade eterna, muito menos de decisão irrevogável.  É uma escolha. 

Profissão não é certificado de ofício permanente, de motivação diária e de uma carreira bem sucedida. É também uma escolha.

Do vestibular ao papel passado somos pressionados à tomar decisões diante da percepção de que o que não é eterno, é sinal de fracasso.

Tanta pressão para pouco tempo de estrada e ainda tem quem diga que a vida só começa aos 40....

Me espanta que com 18 anos você tenha que optar por uma formação acadêmica que será em tempo integral o seu sustento, o seu prazer e por consequência o complemento da sua autoestima.

Me assusta mais ainda estar fadado ao felizes para sempre ainda que uma parceria de vida deixe de ser produtiva e estimulante.

E se eu errar? Se mudar de ideia? Se me descobrir frustrada? Se me sentir limitada pelas escolhas que fiz?

O que fazer? Jogo tudo pro alto? Termino o que comecei? Serei inconsequente? Estou sendo passiva? 

É preciso ter coragem para tomar decisões e mais ainda para reavaliá-las.

Ninguém está imune aos equívocos de uma escolha que não se sustente.  

Ter coragem de recomeçar, na profissão ou no casamento é a melhor maneira de entender que ainda que as coisas deixem de fazer sentido, que ciclos se encerrem ou percepções mudem...

Mais relevante do que errar…é se DECIDIR.  

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.