Fale com Deus

Religiosidade não é bem o meu forte. Sou um tanto desencaixada do termo. Tenho fases de apego aos santos e fases de espiritismo, fases de orar o terço e fases de tomar passe. 

Socialmente ou tradicionalmente é errado e eu sei, mas sigo inquieta , curiosa, questionadora, ansiosa e esse sim é o meu jeito.

Dentro de mim há sempre uma busca semanal do que toca minha alma, uma necessidade humana de ser confortada, ora aqui, ora ali, vou aos poucos nessa caminhada. 

Também não sou daquelas pessoas que só falam com Deus quando estão precisando. Que apelam pra ele no ápice das próprias vontades e que se não são atendidas colocam logo a culpa no coitado.

Sou consciente desse nosso trato. Hora agradecida , hora já sem saco. 

Hora carinhosa, hora debochada. Hora geniosa , hora encantada. 

Dependendo do problema eu faço até piada. Sei que ele ri de mim, e sei que ri comigo. 

Temos uma relação de muito respeito. Sua existência é inquestionável. 

Eu não o responsabilizo pelos meus obstáculos mas dou a ele todos os créditos das minhas conquistas. 

Seria hipocrisia achar que a gente consegue tudo sozinha, pensarque ele não caminha do lado.... aí sim é que ele ri da gente, do quanto falta para aprendermos dessa luz onipresente.

É nele que habitam as minhas vitórias . É nele que habitam as minhas memórias . É nele o conforto das minhas derrotas. 

Talvez me falte religiosidade , mas fé nuncame faltou. 

Travamos disciplinadamente um diálogo diário e isso sim é estar presente.

Na dúvida, mantenha contato! Deus é como mãe.

Atende a gente enquanto faz milhares de coisas ao mesmo tempo.

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