Sororidade

Acabo de presenciar na estação de metrô de Ipanema no Rio de Janeiro aquela cena digna de pesadelo para quem é mãe.

Uma turista alemã , sem falar português , com 5 ( cinco!) crianças pequenasentrou no vagão e ao contra os meninos se deu conta de que estava faltando um.

A porta fechou! Sim, a porta do vagão fechou, e naqueles dois minutos mínimos de pausa até que o metrô avançasse ela batia a mão no vidro desperada e gritava!

Gritava de pavor, de susto , de preocupação , um grito quase leonino, feito fêmea protegendo a cria , e a criança do outro lado , pequena , indefesa , paralisada chorava de volta, um choro doloroso, apavorante , agonizante pra quem via.

Não preciso nem dizer que todas, absolutamente todas as mulheres dentro do metrô começaram a gritar junto, a bater no vidro, a pedir ajuda.

Quando olhei ao meu redor não era só ela que chorava , a maior partes daquelas mulheres choraram ao passo que o carro avançava no sentido da próxima estação ( inclusive eu que não tenho filhos ) .

Fomo todas tomadas por um silêncio constrangedor , sufocante , interminável até que na estação seguida elas desceram.

Quando digo elas é porque pelo menos cinco das várias mães que estavam no vagão voltaram junto.

Eu segui meu caminho com a lágrima descendo dos olhos e a preocupação de saber como terminava aquela história.

Sabia que várias mães estariam com ela no momento que aquele pesadelo teria um final feliz.

Mesmo assim segui tocada pelo sentimento de sororidade que habita em nós mulheres quando algo assim acontece.

Já pronta paradescer na minha estação, o passageiro do lado (homem) conversava com o outro passageiro **Quem mandou ter tanto filho?**

Fiquei perplexa . Não dava pra sair calada então argumentei:  ''Meu senhor, liga pra mãe dos seus filhos e vê se ela concorda com você . Se sim, é provável que tenha mais gente no mundo enconomizando amor por aí''

Comentário lamentável!

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