crônica

Segunda-feira

Se você acorda na manhã de segunda desejando que a sexta feira chegue logo, tome cuidado.

Desejar que a semana voe é optar por uma vida que passa mais rápido

É se conformar com uma rotina que não te acrescenta, com um estilo de vida que não se sustenta.

É se manter em um trabalho que não te motiva e aceitar companhias que não te incentivam.

E tudo bem se a sexta feira parecer sempre mais charmosa, mas é preciso acreditar que há algum prazer e perspectiva na odiada segunda feira.

Tem quem marque um happy our pós expediente, se a turma for legal...

Tem que resolva pendências acumuladas, se não elas se arrastam...

Tem quem pratique esporte para recuperar as calorias do fim de semana. Cerveja gelada, quem nunca?

Tem quem faça o jantar e veja TV. Porque o simples pode ser relaxante

Tem quem volte para casa caminhando. Não há nada como brisa do mar!

Tem quem ouça música no trânsito. Quem vive no caos tem que extravasar...

Segunda Feira é o dia oficial de realizar tarefas improváveis!

Se você executa, comemora! Se você se esquiva, reclama!

O fato é que se a gente enxergasse a segunda como ponto inicial de mudanças que nunca tomamos, com certeza aprenderíamos amá-la.

Dieta, Academia, Ciclos de leitura, Chopp com amigos antigos, Aulas de violão, Jogos digitais, Cinema com meia entrada, filme no sofá, rodada dupla de bar...Tudo é programa certo de segunda feira.

Torço por um mundo com segundas feiras  mais produtivas, mais criativas, mais atrativas.

A gente não precisa pedir para a vida passar tão rápido.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

crônica

Aos 45 do segundo tempo     

Você sabe o que você quer da sua vida? Provavelmente não.

Eu também não sei, minha terapeuta não respondeu de maneira assertiva, meus amigos pareceram em dúvida e meus pais que sempre disseram saber, se pegaram na metade de um casamento reavaliando seus objetivos de vida e se divorciando. Ambos trocaram de profissão. 

Casamento não é garantia de satisfação pessoal, de realização e felicidade eterna, muito menos de decisão irrevogável.  É uma escolha. 

Profissão não é certificado de ofício permanente, de motivação diária e de uma carreira bem sucedida. É também uma escolha.

Do vestibular ao papel passado somos pressionados à tomar decisões diante da percepção de que o que não é eterno, é sinal de fracasso.

Tanta pressão para pouco tempo de estrada e ainda tem quem diga que a vida só começa aos 40....

Me espanta que com 18 anos você tenha que optar por uma formação acadêmica que será em tempo integral o seu sustento, o seu prazer e por consequência o complemento da sua autoestima.

Me assusta mais ainda estar fadado ao felizes para sempre ainda que uma parceria de vida deixe de ser produtiva e estimulante.

E se eu errar? Se mudar de ideia? Se me descobrir frustrada? Se me sentir limitada pelas escolhas que fiz?

O que fazer? Jogo tudo pro alto? Termino o que comecei? Serei inconsequente? Estou sendo passiva? 

É preciso ter coragem para tomar decisões e mais ainda para reavaliá-las.

Ninguém está imune aos equívocos de uma escolha que não se sustente.  

Ter coragem de recomeçar, na profissão ou no casamento é a melhor maneira de entender que ainda que as coisas deixem de fazer sentido, que ciclos se encerrem ou percepções mudem...

Mais relevante do que errar…é se DECIDIR.  

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.                                      

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                                                       Feminismo

De onde eu venho ser tradicional é quase sinônimo de sucesso.

É o mesmo que dizer que a pessoa é correta, que é de bem, que teve boa criação, base familiar sólida e apreço pela boa moral e bons costumes. É a famosa cabeça no lugar.

Nasci em um lar legal, fiz primeira comunhão, estudei em boas escolas, fui à missa aos domingos, estagiei em boas empresas, me formei, me casei, trabalhei. Não usei drogas(nem pretendo usar) não fiz aborto (não sei nem se sou contra ou a favor), não vivi a geração do poliamor (zero curiosidade de beijar meninas) não participei fisicamente de nenhum protesto por direitos políticos nem manifestações de juventude (mas assisto e torço!).

Meu ápice do NÃO tradicionalismo foi fazer uma tatuagem pequena e repetir um ano por assistir TV demais. Rolou bronca claro! Enfim,nadaprotestei além do horário de chegada dos bailes de debutante. Achei que ser jovem era isto e que o máximo da transgressão aceitável seria uma próteses de silicone. Percepção vazia a minha! Lá fora elas faziam história!

Na casa dos 30 anos,morando no Rio há quase uma década conheci centenas de meninas que fumam maconha, que beijam meninas, que não foram batizadas, que militam ativamente a favor do aborto, da legalização das drogas e da preservação da floresta Amazônica. São descoladas, são tatuadas, viajam o mundo e pagam suas contas. Sao generosas,são respeitosas,são poderosas, são corajosas.

De onde eu venho dificilmente serão vistas como bem sucedidas ou corretas.Serão tidas como polêmicas, afrontosas sem causa que não ganharam uma bela de uma palmada dos pais no primeiro grito de rebeldia ou independência. Ah...tradicionalismo tedioso esse nosso, e de muitos!

Felizmente e graças a elas as próximas gerações já sabem que ser livre é um sonho possível. Talvez você jamais seja poupada do julgamento alheio mas todas elas abriram caminho para que você viva como desejar, para que lute pelo que acreditar. Hoje reverencio as mulheres que conquistaram o direito de escolher.

O direito sobre o próprio corpo, a luta pela igualdade de gêneros, e tantas outras questões. A diversidade nos representa mas a evolução é mérito só delas.

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

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Partida de Futebol

Minhas amigas que me perdoem mas nós mulheres (falo da maioria e não de você) temos predisposição genética dos ancestrais para problematizar demais os homens.

Em curtas palavras, ele não ligou no dia seguinte porque não quis. Ele não dá a mínima se você vai usar o sapato preto com o acessório dourado ou a bolsa de mão com o vestido rodado. Ele não quer ter que escolher.

Ele ( quase sempre!) não gosta de fazer compras com você e não está empenhado em discutir a relação. Ele acha isso um saco. Se ele está em silêncio é porque não quer falar. Se está pensativo é provável que seja fazendo o cálculo de rodada do Brasileirão.

Ele não sabe a diferença entre os tons de luzes do seu cabelo e isso não significa que ele não preste atenção na sua aparência.

Ele não vai reparar se você ganhou peso e não notará se perdeu 700 gramas. Ele não é adivinha, não tem como entender suas crises, não sabe seus ciclos menstruais (a menos que anote) nem calcula o período de sua TPM. Se você espera por compreensão e por um chocolate...Então peça compreensão e um bom chocolate.

Eles não estão interessados em nenhum papo que dure mais de 20 minutos com as palavras conexão emocional, sinergia, interação a dois e uma lacuna entre nós. Não ele não tem outra (eu acho!), não te ama menos, não está frio e distante, não te acha feia ou gorda e nem tem problemas de intimidade. Ele é apenas um ser mais brando, com objetivos e percepções diferentes do que é uma relação à dois. Frustrante eu sei.

Na semana passada quase pedi o divórcio em um surto de TPM por opiniões diferentes do que considero a programação perfeita de um feriado. Ele disse: ‘’ Não vou desistir de você ‘’. Me senti a mulher mais amadado mundo e ele o artilheiro de seleção. Notou que fez Gol.

Dizem que Casamento é assim, uma partida de futebol diária. Se pra um termina em sexo para o outro termina em beijo. Se pra um shopping é remédio pro outro silêncio é desejo.

Na dúvida pare de problematizar demais os homens. Quer sincronia sobre os assuntos falados? Ligue pra sua melhor amiga! Sempre dá certo... o resto é ajuste....

Taynara Prado - Rio de Janeiro - 2016 - Todos os direitos reservados no EDA - Escritório de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.