Rafa Brites: "Estava feliz por ser mãe, mas não conseguia vibrar’’
Grávida de seis meses do primeiro filho, a apresentadora dá a primeira entrevista sobre essa nova fase da vida com exclusividade à coluna Conselho de Mãe, da CRESCER
Por Conselho de Mãe, por Taynara Prado - atualizada em 25/10/2016 12h23
 
Discrição é a palavra de ordem na vida de Rafa Brites, 29 anos, quando o assunto é a chegada de seu primogênito, Rocco, prevista para fevereiro. Em entrevista exclusiva à Taynara Prado, na coluna Conselho de Mãe, a apresentadora, casada com o repórter Felipe Andreoli, compartilha os medos comuns de mães de primeira viagem e afirma: “Só falo sobre a gestação se for para ajudar outras mães; meu filho não é fofoca”.
Você está grávida do seu primeiro filho, fruto do relacionamento de 6 anos com Felipe Andreoli.  Rocco foi planejado?
Sempre quis ser mãe, mas achei que seria em 2018. Parei a pílula acreditando em dar aquela tal desintoxicada para pensar em engravidar em 2017. Fiquei na tabelinha, mas engravidei na semana seguinte!
Como descobriu que estava grávida e de que forma deu a notícia para o Felipe?
Em um sábado, eu estava indo para o Rio de Janeiro para gravar o Superstar. No aeroporto, já sentindo umas dores no seio, resolvi comprar o teste de gravidez e fiz no banheiro. Aí, lógico: com a notícia, voltei correndo para casa e esqueci a mala lá no aeroporto. Escrevi na minha barriga ainda dentro do táxi usando um lápis de olho: “Oi, papai”. Felipe levou um susto em me ver de volta e foi só chororô! Eu disse: Vamos esperar até os três meses para contar, mas, nesse meio tempo, ele já tinha mandado mensagem para todos os amigos e para toda a família (risos). 
Já estão montando o enxoval e o quarto do bebê?
Sim. Escolhi o tema “ursos esportistas”, porque os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil foram uma alegria. Fui para os Estados Unidos com a minha mãe e também contei com um serviço de consultoria. Esse trabalho ajuda muito. Se não, teria ficado perdida com tanta coisa. Também ganhei muitos presentes e acho que o Brasil tem tantas coisas lindas...
Você já deu declarações na mídia deixando claro que escolheu ser mãe antes dos 30. Sentiu-se julgada ou cobrada de alguma maneira por isso?
Por estar em uma boa fase da carreira, ouvi muitas pessoas dizerem: “Espere, aproveite para trabalhar agora e pensa nisso depois dos 35, 36”.  Cheguei até a ouvir: ‘’Não pode parar agora para ser mãe para não perder a onda de trabalho. Porque você não adota? Já vem pronto. Assim não precisa parar”.  Como se isso fosse um motivo para a adoção, que é um gesto tão nobre!  Ouvia cada bobeira, mas nunca dei bola. A felicidade que todos buscamos está no equilíbrio e acredito que cada um tem o seu. A minha envolve a formação de uma família desde já.
Como tem sido sua gestação?
O início foi BEM DIFÍCIL. Eu fiquei muito deprezinha, sabe? Estava feliz por ser mãe, mas não conseguia vibrar. Tinha algo muito estranho! Eu sentia medo e ficava com a ideia fixa de que ia perder o bebê. Eu ia toda hora ao banheiro para ver se tinha sangue e essa postura não tem nada a ver comigo!  Sou tão positiva, que sempre acho que vou ganhar no bingo, achar a vaga em frente ao shopping, mas essa preocupação era mais forte do que eu.  Eu ficava achando que não ia conseguir parir, amamentar, que não ia ter dinheiro para a escola do meu filho e até para a faculdade. Fui conversando muito com o Felipe, com a minha mãe e com as minhas irmãs e, aos poucos, fui voltando ao meu juízo e recuperando a fé na vida. Agora, já estou naquelafase, achando que vou parir sem anestesia, que vou amamentar um ano, mandá-lo para Harvard (risos). Espero chegar a um equilíbrio.
Como tem sido viver uma gestação sobre os holofotes? Como você espera que seja com o Rocco? Você e Felipe já conversaram sobre isto?
É delicado porque eu e o Felipe somos pessoas públicas, mas, em algum momento, decidimos trabalhar com isso. Foi uma escolha. Quando se opta por trabalhar na TV, deve-se saber o bônus e ônus. Acredito que os pais devem ter a consciência de que o filho não é uma extensão deles. Ele é um indivíduo, que precisa de seu livre arbítrio e eu, como mãe, preciso respeitar isso. Não posso impor que o Rocco aceite ser reconhecido na rua. Ele pode querer ser anônimo, ser dentista, ficar na dele. E se eu o expuser desde já, ao nascer, tiro esse poder de escolha. Na semana passada, tinha paparazzi aqui na frente da minha casa, me esperando. Como não posei para nenhuma revista, eles me disseram que as fotos estão com um valor alto no mercado. Sou colega de profissão, converso com eles numa boa. Tomei a decisão de abordar o assunto apenas quando for útil, quando eu puder ajudar ou contar algo que possa acrescentar para outras mães. Meu filho não é fofoca. Eu pretendo preservá-lo, sem postar o rosto dele nas redes sociais, mas também não vou privá-lo de ir à praia, ao cinema. E se for fotografado, paciência.
Você enjoou muito no primeiro trimestre? Tem conseguido se exercitar?
Nos primeiros quatro meses, senti muito enjoo e tontura. Parei de dirigir por dois meses. No Superstar, eu ficava disfarçando, mas saia toda hora para vomitar. Fiquei aguardando as tais 12 semanas para passar, mas, para mim foi até a 15ª semana. Depois, juro que não tive mais nada. Deixava o povo maluco de tanta energia. Eu arrumava a casa, mudava as coisas de lugar. Agora estou amando cada segundo da gravidez. Quanto aos exercícios, estou nadando duas vezes por semana, mas falto várias vezes. Já estou há duas semanas sem ir, com preguiça. Antes de engravidar, estava parada fazia um tempo, então, acho que estou melhor agora. Também estou fazendo um programa especial para gestantes, que fortalece o que precisa para tentar o parto normal e evitar dores nas costas, já que costumo sentir muita dor nas costelas. Lá na academia só tem grávidas e mulheres no pós-parto.
Existe uma cobrança da sociedade e da imprensa pela boa forma instantânea pós-parto. Várias atrizes se posicionaram contra esta ditadura e você foi uma delas. Como consegue lidar tão bem com isto?
Essa cobrança existe. Perder peso rápido e estar sarada logo após o parto é como se fosse uma vitória. As pessoas acham o máximo mesmo, sem questionar quais foram os métodos ou se o bebê foi prejudicado. Existem casos em que as mães partem para plásticas ou fazem uso de medicamentos e deixam de amamentar. Tenho minhas prioridades e um corpo escultural não está entre elas. Nunca esteve. Sou adepta do glúten, da lactose, das delícias.
Rafa confessa que tem preguiça de fazer exercícios de vez em quando (Foto: Arquivo pessoal/ Rafa Brites)
E como o Felipe está se saindo?
Felipe está o máximo. Lê tudo. Acompanha e conversa com o Rocco.  Quer fazer cursos, pesquisa comigo na internet. Sabia que tinha um bom marido, mas descobri que ele, além disso, será um paizão!
Você conversa ou canta para a barriga?
Sim. No começo, me sentia meio boba, mas, desde que o bebê começou a chutar, na 19ª semana, falo a toda hora!  Como tenho a placenta com inserção anterior, foi mais difícil de sentir. Mães não fiquem aflitas! Uma hora sentimos!  Até agora, foi a maior emoção que tive na gravidez: o primeiro chute que senti. Já cantar, só quando tem uma música tocando junto, porque cantar sozinha, nem eu me aguento (risos).
E no quesito escolha do parto? Já tem alguma expectativa?
Quero tentar o parto normal, humanizado, na maternidade. Ficarei em casa com uma doula até chegar o momento de ir para lá.
Pretende trabalhar até quando?
Até 8 meses e meio.
Está ansiosa para amamentar?
Sim!  Como fui voluntária em um berçário, os cuidados com o bebê não me afligem, mas amamentar será a primeira vez. Então, tenho lido muito sobre o assunto.R
Que conselho de mãe você daria para nossas leitoras?
Estar grávida é deixar de ser dona do próprio corpo e emoções. É repensar a vida, os valores o orçamento familiar. É achar que vai chorar ao ver o primeiro ultrassom, mas ficar dura, estática, e, às vezes, estar dirigindo, ouvir uma música, e se acabar em lágrimas. É ver o seu parceiro com outros olhos. E amar o resultado desse amor. É olhar para a nossa mãe com compaixão. Ver as outras mães no shopping e pensar: “Olha, que bacana essa atitude” ou “Gente, jamais farei isso!” É se achar esquisita no espelho, enquanto a barriga não vem. E se achar a mulher mais linda do mundo, quando ela aparece. É ter a sensação de que tem muitas grávidas, bebês, lojas infantis pelo mundo. É dar uma busca na internet a cada 10 minutos. É ficar na dúvida: “Está mexendo ou são gases?” É contar cada dia que passa querendo que chegue o dia, mas também pensando que seria tão bom se o bebê pudesse ficar para sempre protegido ali dentro. Estar grávida é tudo isso e tudo mais. Sem dúvida, é a coisa mais linda que já me aconteceu na vida, o sentimento mais nobre, e sublime que senti até hoje. E só melhora. E só aumenta.