Vera Viel: “Não poderíamos nos dedicar de forma igual às nossas profissões. Alguém tinha que ceder”

Casada com Rodrigo Faro, a apresentadora, que é mãe de três, fala da rotina e diz que a família é sua prioridade

Revista Crescer, por Taynara Prado - atualizada em 21/12/2016 09h00

Mãe de três meninas, casada há 20 anos com o apresentador Rodrigo Faro, Vera Viel administra os desafios da maternidade em dose tripla.  Em entrevista à CRESCER a apresentadora fala da rotina das filhas, Clara, 11 anos, Maria,8, e Helena, 4, e conta como é a rotina em casa. “Quando viajamos, o Rodrigo fica doido com tanta mala de menina”, diz.

A diferença de idade das três foi planejada?
As três filhas foram superplanejadas! Quando eu quis ter filhos, parei de tomar o anticoncepcional e logo engravidei, mas acabei perdendo. Pouco tempo depois, veio a Clara. Quando ela fez 2 anos, parei com a pílula de novo e logo veio a Maria. Não demorou muito. O engraçado é que elas nasceram no mesmo dia. A data da última menstruação era a mesma. Quatro anos depois veio a Helena, também planejada. Pensamos: “Quem sabe vem um menininho?” Mas veio outra menina e foi maravilhoso. Amo ser mãe de menina. Essa diferença de idade delas é incrível porque hoje a Clara me ajuda com as menores, principalmente com a Helena. Se tivesse tido um filho atrás do outro, talvez não tivesse dado conta. Curti cada uma.  Brinco que, quando são três, a irmã do meio sofre um pouquinho e a caçula já nasce pronta (risos).

Nas três vezes em que ficou grávida foram parecidas ou uma gestação foi completamente diferente da outra?
Sim, foram parecidas. Engordei 30 quilos em cada uma. Sentia muita fome e retinha muito liquido. Como engordei muito na primeira, na segunda, já sabia que seria da mesma forma. Minha médica ficava no pé, mas não tinha jeito.

E como foi que você conseguiu perder esse peso? Existia alguma cobrança?
Quando tive a Clara, demorei bastante para voltar ao meu peso normal. Eu não me preocupava com isso, estava amamentando e dizem que isso ajuda. Aos poucos, com boa alimentação, voltei a minha forma física. Depois da gravidez da Maria, também amamentei e o processo foi o mesmo, devagar. Me alimentava bem e não tinha neurose com dieta. Não gostava de malhar e levou um tempo até que as coisas se encaixassem. A genética ajuda também. Minha mãe com quatro filhos tinha a barriga sequinha. Depois da gestação da Helena é que eu vi que tudo tinha mudado. Eu queria voltar ao trabalho quando ela completasse quatro meses, mas não tinha a menor condição porque ainda faltava perder 20, dos 30 quilos que ganhei. Procurei a ajuda de um endocrinologista e recorri à dieta da proteína com acompanhamento médico. Rodrigo também foi maravilhoso e montou uma academia em casa para me incentivar. Em seis meses, consegui alcançar o resultado que precisava. Hoje malho as 7h30 quando as meninas vão para a escola. Se elas estão de férias, acabo faltando para ficar com elas, mas me alimento bem e quero continuar saudável.

Você conseguiu amamentar as meninas por quanto tempo?
Se a Clara chorasse um pouquinho, eu já dava o peito. Ela foi amamentada por 1 ano. Também quis amamentar Maria pelo máximo de tempo que pudesse, só que, na segunda vez,  você já tem uma filha. A logística é mais complicada. Você quer dar atenção para as duas e a amamentação demanda muito da mãe. Consegui amamentá-la por 8 meses. Já com a Helena, foi completamente diferente porque eu já tinha duas filhas, tinha prótese de silicone, que não altera a produção de leite, mas, por ter passado por duas gestações, já estava com excesso de pele... Foi mais difícil. A Helena tinha muito mais fome que as outras duas. Ela chorava muito. Eu achava que meu leite não era igual ao das outras vezes. Só consegui amamentá-la durante dois meses. É um processo muito complexo porque eu também precisava dar atenção para as outras. Você se culpa e pensa: “Eu amamentei as outras. Como não vou amamentá-la?” As primeiras mamadeiras, eu dei meio que escondida do Rodrigo, porque eu pensava que ela não dormia bem por sentir fome. Rodrigo queria que a terceira também mamasse no peito, mas a gente que é mãe de três sabe que as circunstâncias são mais difíceis.

Clara, Helena e Maria são muito diferentes?
São! Elas têm personalidades bem diferentes, apesar da Clara e da Maria serem do mesmo signo e terem nascido no mesmo dia. Cada uma delas tem um jeitinho dos pais. A Clara é mais parecida comigo, é mais tímida, não é tão falante como o Rodrigo, a Maria e a Helena. Eu percebia desde bebê que ela era quietinha. A Maria, quando começou a falar, era o Rodrigo todinho! Ela tem o mesmo carisma, é extrovertida, faz amizade com muita facilidade e a gente percebe esse lado falante dela. Todas as três são amorosas e têm a mesma educação. Elas obedecem do mesmo jeito, mas são diferentes nesse aspecto da personalidade. A Helena também é falante, mas brinco que é a mais ‘’briguentinha’’. Batemos um pouco de frente com ela, que obedece mais ao Rodrigo do que a mim.

Como é seu estilo de maternidade?
Tento ser a mãe mais presente possível. Me cobro muito. De noite, vejo se chequei tudo de cada uma. Fico de olho, ligo o tempo todo para saber se comeu, se fez dever de casa, se a aula foi legal.  Elas também me ligam. Vou às reuniões da escola, estudo com as três. Curto cada fase de cada uma delas. Quanto mais elas crescer, mais a preocupação aumenta, porque você quer que seus filhos se tornem pessoas educadas e muito amadas. Ser mãe é igual em qualquer casa. Não importa se você tem dinheiro, se está estabilizada profissionalmente ou se não trabalha fora, se tem um filho ou mais de um. Mãe é muito parecida. Temos os mesmos problemas e as mesmas preocupações. Queremos sempre nos dedicar mais. Quando viajamos, o Rodrigo fica doido com tanta mala de menina (risos). Sou mãe igual a todo mundo e mãe de verdade tem seus defeitos. Erro, mas também acerto.

Dar atenção para as três de forma igual é um desafio?
Mãe de três se cobra muito nesse sentido. Quando você tem a primeira, aproveita tudo, praticamente 24 horas por dia. Eu não tinha babá, meu tempo todo era voltado para a Clara. Quando a Maria nasceu, eu já precisava de ajuda. Eu tentava suprir essa culpa de todas as formas, tentava me dividir ao máximo, mas você sempre se questiona. Com a chegada da Helena, isso se repetiu. Eu acordo as 5h30, preparo as mais velhas para a escola, arrumo as lancheiras, tomo café da manhã e levo na aula. A Helena fica com a babá e mais uma vez você pensa: “Ela vai ficar bem sem mim?” Na verdade, a Helena é muito bem resolvida, bem humorada, independente, mas a culpa que a mãe sente não diminui. É uma questão eterna de mãe, me cobro para dar atenção às três de forma equilibrada.

É possível manter a individualidade do casal com três filhos?
Esse é um dos desafios da maternidade. O marido precisa ser muito parceiro no primeiro ano de vida do bebê porque a mãe fica muito voltada para o filho. Tenho a sorte de ter um marido compreensivo e muito amoroso, que sabe ser flexível pra que nada se torne crise ou problema. Mas tento sempre balancear essa questão para que o Rodrigo não fique de lado e perceba a importância dele na minha vida. Acabamos de conseguir fazer nossa primeira viagem para fora do país sem as meninas. Antes, não conseguíamos. A Maria é muito apegada a mim, até poucos dias atrás não conseguíamos viajar sem ela. Dessa vez, ela chorou a semana inteira. Até a Helena disse para ela que não precisava chorar porque era muito legal o papai e a mamãe viajarem. A Clara, por ser maisvelha, entende bem. Maria é muito carinhosa, ela sente mais.

E como você administra o com a maternidade, o casamento e a rotina da casa?
Fazendo escolhas. Estamos juntos há 20 anos. Quando o Rodrigo e eu começamos, entendi que não poderíamos nos dedicar de forma igual às nossas profissões pois alguém tinha que ceder para termos a família que queríamos. Deixei a minha carreira em segundo plano e não me arrependo. Nesses 20 anos, aconteceram tantas coisas em nossa vida. Só voltei a trabalhar quando a Maria fez 2 anos. A prioridade sempre foi cuidar da minha familia. Hoje, gravo uma vez por semana, saio de manhã e volto no fim da tarde. Elas estão maiores, então, já é mais fácil. Mesmo assim, conto com a ajuda de uma babá que trabalhava lá em casa há anos. Um motorista nos ajuda com as atividades das três e nossas mães também ajudam quando vamos para eventos durante a semana, por exemplo. No fim de semana, também temos ajuda. Mesmo com horários flexíveis, a demanda de três é mais complexa, porque elas estão em fases diferentes da vida. Também tenho a sorte de ter um marido que ama decoração, sabe comprar lençol, coisas para a casa (risos). Vamos administrando juntos.

Como vocês lidam com as brigas de irmãs?
A Clara já é maior. Maria e Helena brincam muito, mas brigam também. Tenho mania de tentar proteger a menor. Acabo dizendo: “Deixa ela, gente. É pequena”. Não é uma coisa legal de se fazer e o Rodrigo me ajuda muito com isso. Ele fala com as três de forma igual, explica para a caçula que vai chegar a vez dela na brincadeira, que já é a hora de emprestar para a irmã – e ela entende! Comigo, ela já chora e diz que bateram nela, mas não derrama nenhuma lágrima sabe (risos)? Quando decidi tirar a chupeta, por exemplo, a Helena me disse que nunca mais ia dormir na vida e eu devolvi na hora (risos). Quando decidimos tirar novamente, o Rodrigo ajudou muito. Foram três noites de choro terríveis. Admiro a maneira como ele faz, porque, às vezes, sozinha, eu não consigo.

Como vai ser comemorado o Natal na casa de vocês?
O Natal para nossa família é um momento especial. Geralmente, estão as avós (os avôs são falecidos), tios, tias e primas. Natal com crianças fica mais especial ainda. Para os menores, que ainda acreditam em Papai Noel, fazemos muitas surpresas. Uma vez, deixamos uma bota preta na sala e a Clara acreditou que, na correria, o Papai Noel havia perdido. Incentivo as meninas a fazerem cartinhas com seus pedidos. Neste ano,  me surpreendi quando a Maria disse que o mais importante para ela era o amor que o pai e as irmãs lhe davam e que isso era melhor do qualquer brinquedo. Fiquei tão emocionada! No dia 25, almoçamos todos juntos. Adoro preparar a mesa e as meninas me ajudam na decoração.

Que conselho da sua mãe você usa na educação das meninas?
Quando fui para o Japão trabalhar como modelo, eu tinha 17 anos. Minha mãe sempre confiou em mim e me incentivou a tomar decisões com base na minha educação e na vontade própria e não na influência de amigas. Ensino isso para as minhas filhas, a fazer o que o coração delas querem e não o que as amigas fazem. As crianças estão com pressa de crescer hoje em dia. Não é vergonha nenhuma brincar de boneca. Você tem que fazer o que você tem vontade, do seu jeito e no seu tempo. Tudo tem sua hora. Eu explico a importância de não precipitar as coisas.