Carla Marins: “O machismo atrapalha muito o relacionamento. Mais ainda quando o casal tem filhos”

Por Conselho de Mãe, por Taynara Prado - atualizada em 08/02/2017 12h26

 

Carla Marins e o filho, Leon (Foto: Arquivo pessoal/ Carla Marins)

Realizada com a maternidade, Carla Marins, 48, fala sobre a importância de educar com qualidade e quantidade. Mãe de Leon, 8 anos, ela também questiona a cultura machista e diz que isso interfere no relacionamento do casal, sobretudo depois do nascimento das crianças. “Nós mulheres nos cobramos muito, principalmente quando achamos que a responsabilidade maior em criar o filho é mais nossa do que do pai”. Confira o bate-papo na íntegra!

Você foi mãe aos 40, já com 20 anos de carreira. Planejou assim?
Eu sempre quis tudo: carreira, casamento e filho. Não planejei, mas acabou sendo nessa ordem. Não tive vontade de ser mãe nem aos 20, nem aos 30, mas sabia que seria mãe, mesmo que não fosse de um filho biológico. Conheci meu marido com 37 anos [Carla é casada com o personal trainer Hugo Baltazar] e, três anos depois, nasceu Leon.

Sua carreira já estava consolidada quando o Leon chegou. Quando sentiu vontade de voltar a trabalhar?
Um ano e dois meses depois do nascimento do Leon, voltei a trabalhar. Foi um desafio e tanto: protagonizei uma novela em outro estado, em São Paulo [Carla mora no Rio de Janeiro], para onde ia com mãe, babá e filhote toda semana.

Quais as vantagens de ser mãe aos 40, em sua opinião?
Se você chega aos 40 se conhecendo melhor, sabe onde está a sua felicidade e não se importa demais com a opinião de todos. Essas são as vantagens.

Você trabalha com imagem. Sentiu-se pressionada em algum momento pelo trabalho para voltar a sua forma física anterior ao parto?
Senti sim, pressão dos outros e de mim mesma, mas ignorei (risos). Estava tão feliz e focada em viver aquele momento com plenitude... Meu corpo só voltou ao normal mesmo dois anos depois. Confesso que não acreditei que seria possível, mas foi.

E como foi a sua gestação?
Minha gestação não poderia ter sido mais tranquila. Mesmo tendo trabalhado até uma semana antes de o Leon nascer, estava triplamente realizada: atuando, gerando e amando.

Saiu tudo como você esperava no processo de amamentação?
A amamentação foi um processo de descobertas, alguma dor no início (santa pomada!) e aquela conexão visceral com seu lado fêmea ancestral. Leon mamou só no peito até os cinco meses, quando entrou a mamadeira. Então, não pegou mais [o seio].

Como você e Hugo se saíram como pais de primeira viagem?
Nos primeiros dez dias, ficamos apenas eu, Hugo e Leon. Esse tempo foi importante para nós dois com nossa cria, cuidando, cheirando e o conhecendo e também nos entendendo com esse novo status: fomos filhos, agora éramos pais.

E como escolheram o nome do Leon?
Hugo queria que Leon tivesse seu nome e que nascesse no dia do seu aniversário. Argumentei que era muita projeção (risos) e escolhemos um nome curto, que combinasse com seu sobrenome, Baltazar. Leon também significa leão, um animal forte e vencedor.

Em algum momento, teve vontade de dar um irmão para ele?
Sou uma filha única bem resolvida, vinda de uma infância rodeada de amigos, então, nunca tive essa preocupação. Quando engravidei naturalmente aos 40, me senti tão agraciada que nem desejei mais nada.  O Leon também nunca pediu um irmão. Então, tudo certo!

Você se considera superprotetora?
Sim. Tento me policiar e o papel do pai é fundamental para evitar os exageros. No entanto, tenho consciência da importância de uma criação que estimule a independência e a autonomia. Fui criada assim e busco esse equilíbrio com Leon.

Para você, quais são os principais desafios da maternidade?
Administrar o tempo para realmente criar seu filho e não terceirizá-lo. Amor é convivência. Deve-se ter tempo para estar com a criança. Acredito em quantidade de tempo, com qualidade de tempo. Experimente dizer ao seu chefe que você vai trabalhar apenas duas ou três horas por dia, mas com muita qualidade para compensar. Não vai rolar. Sei que é difícil, mas filhos precisam de atenção e do que você tem de mais precioso: o seu tempo.

Você é rígida com a alimentação do Leon?
Os hábitos alimentares são construídos e, como eu e Hugo nos alimentamos bem e com consciência, naturalmente, Leon seguiu o mesmo caminho. Leon come salada, brócolis, arroz cateto, salmão e encara um suco verde potentíssimo com a maior tranquilidade. Ama açaí com granola, frutas e água de coco. Evito comidas vazias de nutrientes, refrigerantes (ele nunca bebeu), sucos prontos e refeições industrializadas. O molho de tomate do macarrão é feito em casa com tomates orgânicos. Ele não come biscoito recheado, nuggets, hambúrguer de lanchonete, nem salsicha. Dou balas, batata-frita, chocolate e sorvete com parcimônia, aos fins de semana. Não é uma alimentação rígida, mas nutritiva e consciente.

Como fica a relação do casal com chegada dos filhos?
A chegada de um filho gera muitas mudanças na vida de um casal e, com a educação machista que todos, homens e mulheres, ainda recebemos no Brasil, a parceria na divisão de tarefas com os cuidados com o filho é um desafio. Muitas mães ficam sobrecarregadas porque acham que esse é um dever só delas. Outras se revoltam porque não são atendidas quando solicitam a parceria. Indico uma conversa franca e sem romantismo, sobre o que um espera do outro como pais. O machismo atrapalha muito o relacionamento e mais ainda quando o casal tem filhos. Feitos os ajustes, recomendo saídas do casal, sozinhos ou com amigos, sempre que possível - no início é mais difícil. O casal deve estar feliz e tentar relaxar um pouco, porque muitas vezes o trabalho com crianças é braçal!