Fernanda Rodrigues: “É importante fazer para a criança e não para você”

A atriz e apresentadora fala sobre o que é realmente importante em um aniversário infantil e fala da rotina com os filhos, da culpa de mãe e das diferenças entre ser mãe pela primeira e pela segunda vez

Fernanda Rodrigues e os filhos, Bento, 1, e Luísa, 7 (Foto: Arquivo pessoal/ Fernanda Rodrigues)

Revista Crescer, por Taynara Prado - atualizada em 10/03/2017 13h49

Mãe de Luísa, 7 anos, e de Bento, 1, Fernanda Rodrigues está pela quinta temporada à frente do programa Fazendo a Festa, no canal pago GNT. Conciliar o trabalho com a maternidade não é fácil, mas, aos poucos, dá para encontrar um equilíbrio. “Às vezes, você me vê na televisão gravando, produzida, bonita, mas existe uma exaustão, como acontece com qualquer mãe”, conta. Confira a entrevista:

O Fazendo a festa acaba de estrear a quinta temporada. Como tudo começou? 
Quando começamos com o programa, o objetivo era resgatar as festas de antigamente, aquelas festas mais simples, aquele “faça você mesmo”, onde a mãe, a tia e a avó participavam do processo de perto, enrolavam o brigadeiro... Essas festas são as mais legais e as mais marcantes. As comemorações das quais eu mais me lembro na vida foram as mais simples. Minha mãe fazia a minha asinha da festa de fada, minha avó enrolava os docinhos. Essa memória afetiva é o que a gente guarda da infância e é muito importante quando a gente participa também do processo do aniversário. O programa tenta resgatar isso.

Como apresentadora de um programa com esse tema e também como mãe, que dicas você daria para os pais que estão planejando o aniversário dos filhos?
Não sou especialista em festas e decoração, mas se eu fosse dar uma dica, como mãe, seria justamente essa: resgatar as comemorações mais simples, principalmente nos primeiros anos. No início, a criança ainda não tem os amigos formados e nem o entendimento sobre a representação da festa. É mais a bagunça mesmo. As coisas mais simples acabam sendo mais legais. Este ano, por exemplo, o aniversário do Bento de 1 ano foi um churrasco com piscina com lona com sabão. Eu mesma fiz o brigadeiro. Uma coisa bem simples, que ele curtiu bastante, serviu pra gente comemorar e são memórias que ficam. Depois, acho bacana ir introduzindo as crianças no que elas sonham, dentro do que elas querem. A Luisa está nessa fase de estar com as amigas. Então, fizemos uma festa do pijama e as amigas dormiram aqui. É importante fazer para a criança e não para você.

No programa tem comidas deliciosas de festa. E na rotina? Como é alimentação das crianças na sua casa?
A alimentação lá em casa não é radical, não. A gente se alimenta bem, principalmente durante a semana, mas não sou uma mãe radical. Acho que tem os prazeres da vida, que as crianças têm que adquirir, viver. Deixo comer um chocolate, um biscoito. Só não acontece sempre, não faz parte da rotina, eles não lancham isso durante a semana. Se estão na casa da vóvó, vão sair para fazer um passeio, não tem problema levar um biscoito ou um suco. Não sou uma mãe totalmente liberal, mas também não exijo só comida saudável. Acho que tem um equilíbrio, que é importante, e tem que ter um entendimento deles do que faz bem e do que faz mal. A Luisa já sabe totalmente. Às vezes, ela pede para comer algo que não é saudável, mas ela sabe disso e eu também. Até porque no programa eu como tudo o que tem, batatinha, brigadeiro. Lá em casa, o lema é uma vida sem radicalismos.

Luísa e Bento têm 6 anos de diferença. Você sentiu muita diferença entre uma gestação e a outra?
A gestação da Luísa foi mais intensa. Acho que por ser a primeira, você fica mais insegura, é muita coisa nova, muita dúvida. Acaba sendo mais tensa porque você está descobrindo tudo. Na segunda, o que é maravilhoso é que você já entendeu como funciona, o que é legal e o que não é, o que dá certo e o que não dá, se é frescura ou não. A gravidez acaba sendo muito mais leve. Tanto é que a gestação do Bento pareceu passar muito mais rápido. Eu estava bem mais tranquila.

Você ficava ansiosa durante as gestações?
De uma maneira geral, nas minhas duas gestações, fiquei muito bem. Costumo dizer que tentei ficar zen. Parecia que eu era um Buda. Eu não pegava problemas, tentava deixar de lado qualquer estresse ou coisas ruins. Fiquei calma, tentei pegar as melhores energias, pensar em coisas boas. 

É possível dizer que a mãe da Luísa e do Bento são mães diferentes?
Com certeza, sou uma mãe muito diferente do Bento e da Luísa, mas não é só porque eles têm necessidades individuais. Sou uma mãe diferente porque a minha maternidade é diferente, são momentos diferentes da vida. Amadureci muito da Luísa para o Bento. No segundo [filho], as inseguranças não são as mesmas. Me acho uma mãe mais tranquila hoje do que fui quando a Luísa nasceu. O segundo filho, de uma maneira geral, é mais tranquilo, porque você já entendeu a dinâmica.
                  

A chegada do Bento despertou ciúmes na Luísa? Como vocês a prepararam para a vinda do irmão?
A Luísa pedia muito um irmão. Em todas as datas comemorativas. Presente de aniversário, presente de Natal, ela dizia que queria um irmão (risos). Então, quando decidimos ter o Bento, brincamos que era uma responsabilidade dela, um irmão para ela. Até hoje, quando acontece alguma coisa, ela diz: "Mas fui eu que pedi, ele é meu irmão". Acabou que ela não teve ciúmes quando ele nasceu. Ao contrário, ela queria ajudar, queria cuidar dele, trocar fralda. E ela faz tudo isso! Ela ama cuidar do irmão. Ela sufoca, abraça, agarra e eles são apaixonados um pelo outro.

Você conseguiu amamentá-los como gostaria?
A Luisa, eu amamentei por dez meses. Eu tinha muito leite. Todo mundo me falava que, por ter o seio pequeno, teria pouco leite e isso é uma lenda absoluta. Tinha leite pra caramba. Eu amamentava muito, guardava leite. Na época, até doei para o banco de leite. Foi uma amamentação maravilhosa porque fiquei mais tempo sem trabalhar e me dediquei um tempão. Já com o Bento, eu tive que voltar a trabalhar mais cedo. Ele tinha quatro meses quando voltei a gravar o programa. Eu o levava comigo e amamentava, mas chegou uma hora em que foi ficando mais complicado, ele ficava um pouco sem saco, eu me atrasava para gravar e acabava que dava uma mamada rápida. Isso foi desregulando a minha amamentação, até que eu tive mastite. Foi horrível, porque dói muito, incomoda. Me fez muito mal.

Como foi lidar com a volta ao trabalho, tanto na vez de Luísa, como na vez de Bento?
Na primeira gravidez, demorei muito a voltar. Eu sempre quis ser mãe, me preparei para esse momento e sabia que, quando ele chegasse, eu me dedicaria a isso. Conversei com a Globo e vivi um ano da maternidade intensamente e inteiramente. Quando me chamaram para voltar, na minissérie O astro, fiquei muito mexida, mas não podia abrir mão de uma profissão. O começo foi muito sofrido, fiquei bem dividida sobre viver a maternidade de uma forma um pouco mais distante. A Luísa já estava com 1 ano, tinha a vida dela mais organizada, então, consegui voltar a trabalhar e ficar bem. Acho que foi muito importante conseguir me dedicar à primeira maternidade por todo esse tempo. Me considero muito sortuda. Fui privilegiada pela empresa porque sei que muitas mães precisam voltar em quatro ou seis meses, de acordo com o contrato de trabalho. Já com a gestação do Bento, por ser a segunda, você lida muito melhor, inclusive com a culpa e as inseguranças. Eu tinha de voltar a gravar, então, consegui me organizar para voltar depois de quatro meses. Acho que a segunda gestação te proporciona uma segurança maior, uma capacidade de entender que vai ficar tudo bem, que é bom para a criança saber que a mãe também tem um trabalho. Mesmo assim, em nenhum momento minha vida é pautada em cima do trabalho; ela é pautada em cima dos meus filhos. Eu gravo, mas me organizo de uma maneira que eles fiquem sempre em primeiro lugar, levo os dois na escola, passo em casa para fazer o dever junto. Sou uma mãe que não consegue delegar muito, eu faço questão de estar presente, me desdobro em várias, mas dá certo.

Quem é mais rígido em casa, você ou Raoni [Raoni Carneiro, diretor de televisão e pai da Luísa e do Bento]?
Varia muito. Às vezes, ele é mais rígido. Em algumas situações, sou eu. De uma maneira geral, a gente tenta dar uma educação coerente. Conversamos muito. Quando um fala “não”, o outro não passa por cima. Acho importante que tenha uma coerência, que os dois falem a mesma língua e que as crianças respeitem os dois. Se ficamos inseguros, sentamos, conversamos, chegamos a uma conclusão e fazemos juntos. Tem momentos em que ele é mais descolado, brinca com as crianças e eu sou a mãe que chega para colocar no banho. Em outros momentos é o contrário. Acho que dá uma variada, mas somos sérios com horários, rotina, a vida deles. Lá em casa, as coisas não correm muito frouxas, não. É tudo bem regradinho porque achamos que criança precisa de rotina para se sentir segura.

Mesmo se desdobrando em vários papeis mãe sente culpa, mas você sempre traz uma mensagem de otimismo...
Mãe é culpa. A gente sempre tem culpa de alguma maneira, de estar trabalhando muito, de não estar com eles em um lugar que você gostaria. Confesso que, na primeira gravidez, tive muito mais culpa do que eu tenho hoje, porque já entendi que isso faz parte. As crianças precisam saber que a mãe trabalha, eles também ficam felizes em ver a mãe feliz. Hoje, lido muito melhor com a culpa, administro muito melhor na minha cabeça. Às vezes, é um problema maior para você do que para a própria criança. Me sinto bem menos culpada hoje. Tento fazer com que as pessoas entendam que a maternidade não é só glamour. Ser mãe é muito difícil. Vejo muita gente lidando com a maternidade como se tudo fosse muito fácil é não é. É difícil para caramba. A gente trabalha muito e fica muito cansada. Às vezes, você me vê na televisão gravando, produzida, bonita, mas existe uma exaustão, como acontece com qualquer mãe. Me desdobro para ser uma mãe ativa e participativa. Tento passar uma impressão positiva nas redes sociais e nos vídeos, sempre deixando claro que é puxado, mas passa e, no fim, vai dar tudo certo! Tento ser mais leve na vida, principalmente como mãe.