''Sou firme na hora de impor limites e estou 100% preocupada e engajada na educação deles''

A atriz e filha de Regina Duarte se vê como uma mãe rígida, mas diz que a imagem que tem de si mesma é diferente de como os outros a enxergam

Por Revista Crescer, por Taynara Prado - atualizada em 21/03/2017 11h45

Gabriela Duarte em Nova York (Foto: Arquivo pessoal/ Gabriela Duarte)

Há dois anos, Gabriela Duarte vive em Nova York, nos Estados Unidos, com a família. Mãe de Manuela, 10 anos, e Frederico, 5, a atriz conta como enxerga sua relação com os filhos e incentiva outras mães a desenvolverem sua própria dinâmica educativa: ‘’ Não existem fórmulas. Quem disse que as mães têm que acertar sempre?’’

Como tem sido a experiência de morar em Nova York com crianças?
Tem sido uma grande aventura, cheia de coisas boas e não tão boas assim. No mínimo, sairemos todos mais fortes, como família e como indivíduos. Cada um sente a experiência de uma forma diferente mas, sem dúvida, morar em outro país por um tempo é sensacional. Abre os horizontes.

Nova York é uma cidade cosmopolita. Você nota muitas diferenças entre as famílias brasileiras, americanas ou de outras culturas do seu círculo de amigos?
Nova York é uma cidade muito diferente do restante dos Estados Unidos. Temos muitos amigos brasileiros, que conhecemos aqui. Acabamos virando uma grande família, que se apoia e se ajuda. Temos amigos americanos também, mas é claro que a amizade é diferente. São culturas muito diferentes.

Com que frequência vocês têm vindo para o Brasil?
Tenho ido a cada seis meses. Nunca é fácil viajar com crianças. É algo que requer paciência e coragem (risos), mas acredito que eles só vão "aprender" a ser um bom viajante...viajando! E os pais, é claro, repetindo os mantras da educação um milhão de vezes.

Que tipo de programação você sugere para quem está de passagem por Nova York com crianças?
Sempre acho os parques ótimas opções. Nova York tem muitos parques lindos. Se for primavera ou verão, então, a programação está feita. Teatro para crianças aqui também vale muito a pena. Algumas peças são mais caras que outras, mas tem opções para todos os gostos e para todos os bolsos.

Como foi a gravidez da Manuela e do Frederico?
A gravidez da Manuela foi maravilhosa e assustadora na mesma proporção. Tinha tido um aborto espontâneo antes e tinha muito medo de perder de novo. Quando descobri que estava grávida, eu estava em cartaz com uma peça com o [Antônio] Fagundes, As Mulheres da Minha Vida, e fiquei nela até a barriga começar a aparecer no vestido. A camareira ia soltando a costura aos pouquinhos, até que ela falou: “Gabriela, não tem o que soltar aqui!”. Foi a hora de sair da peça, com quase seis meses de gravidez. Depois, fui viajar com meu marido e eu tinha uma disposição tão grande, que andava o dia inteirinho e não ficava cansada! Em compensação, no final, com 8, 9 meses, eu estava enorme e pesada, já rezando para ela nascer, tanto pela curiosidade, como pelo incômodo. Engordei 16 quilos e ela nasceu de cesárea, pequenininha, com 2,5 kg. Parecia prematura, mas nasceu no tempo certinho. Hoje é uma meninona de 10 anos muito lindinha. Já com o Fred, acho que tirei de letra No segundo filho, estava menos ansiosa, menos preocupada. Também trabalhei normalmente, dessa vez, no Junto e Misturado, programa de humor com elenco e equipe maravilhosos, ou seja, foi um início de gravidez muito feliz e alto astral. Engordei menos – 11 kg - e o Fred nasceu no auge do verão, com 3,8 kg, também de cesárea. Hoje é um molequinho fofo e esperto de 5 anos. 

E a maternidade? O que mudou de um filho para o outro?
O que muda é a maturidade. A diferença entre meus dois filhos é de cinco anos e meio. Claro que me sentia muito mais preparada para ser mãe com 37 anos do que aos 32, mas a Manu me ensinou a ser a mãe que fui para o Frederico e que serei para os dois pelo resto da vida, só que com mais tranquilidade e confiança nos erros e acertos.

Como foi para você voltar ao trabalho, depois de ter os bebês?
Difícil, como é para qualquer mãe. Aquilo que era tão prazeroso, que é o seu trabalho, passa a ser motivo de divisão e, muitas vezes, de angústia. Eu tenho muita dificuldade de sair de perto dos meus filhos. Minha vida profissional é claramente dividida entre o antes e depois da maternidade. Não vejo nada de mal nisso. Acho que é natural você ter necessidade de diminuir o ritmo de trabalho porque agora é mãe e não dá para ter tudo na vida. São escolhas e não cabe aqui nenhum tipo de julgamento. Cada um sabe o que é melhor para si e para a sua felicidade.

Se sentiu pressionada para voltar à forma física depois do nascimento dos seus filhos?
Tenho um médico maravilhoso que diz o seguinte: “São nove meses para crescer e o mesmo tempo para voltar. Aquilo fez muito sentido para mim. Então, não me senti pressionada, mas fui tomando providencias devagarinho. Ia para a esteira, segurei a alimentação, sem neuras. Amamentei bastante, então, não podia fazer dieta rígida. Em um ano, estava com o peso que eu queria. Foi assim nas duas gestações.

Como você se vê como mãe?
Acho que tenho uma autoimagem que não corresponde muito ao que as pessoas vêem. Eu me acho muito rígida, mas meu marido [Gabriela é casada com o fotógrafo Jairo Goldfuss] acha que sou muito liberal e minha mãe me cobra mais rigidez com os meus filhos (risos). Na verdade, sou carinhosa e superprotetora, mas sou firme na hora de impor limites e estou 100% preocupada e engajada na educação deles.

Quais são suas as principais preocupações ao educar as crianças?
São muitos os desafios! Não deixar que a internet eduque seu filho por você é um deles. O mesmo vale para a televisão e as redes sociais. A tecnologia impôs um ritmo a que não estamos acostumados. Não sabemos lidar direito com essas mudanças. Como exigir que uma criança saiba esperar, quando ela tem tudo na hora? A minha geração tirava uma foto e precisava esperar a revelação, que demorava uns sete dias e ainda corria o risco de sair ruim, tremida. Então, além de esperar, tínhamos que lidar com a frustração.

Dizem que os pais educam e avós estragam.  Isso se aplica na sua casa?
Um pouco. Meu pai é aquele avô que deixa tudo; minha mãe, já não. Ela se preocupa com a educação deles, então, quer educar também. Eu acho legal. Ela tem uma cabeça ótima, moderna. Meu sogro é um avô apaixonado pelos netos, que também deixa tudo. Então, essa máxima se aplica, mas não 100%.

A alimentação nos Estados Unidos é um pouco diferente da que temos aqui no Brasil. Você é muito rígida com o cardápio das crianças?
Eu me preocupo com a alimentação deles, mas não sou neurótica com isso. Aqui, realmente, as coisas têm de ser mais práticas, então, libero umas besteiras no final de semana.

A maternidade já te frustrou em algum aspecto?
Muitas vezes. Como mãe-cuidadora, como mãe-educadora... Mas isso só me ensina. Quem disse que as mães têm de saber tudo e acertar sempre?

Que conselhos você daria a outras mães?
Diria para lembrar que estamos em constante construção e para ser uma mãe verdadeira, uma mãe possível. Não existem fórmulas. Cada uma desenvolve sua própria dinâmica e cria, assim, um ambiente familiar saudável e feliz dentro de todas as dores e as delicias da maternidade.